Você já ouviu falar do “thigh gap”, o espaço entre as coxas? Nas redes sociais, ele virou, para algumas pessoas, uma espécie de meta de corpo. Mas será que isso faz sentido? Será que esse detalhe diz algo sobre a saúde de alguém?
Neste texto, vamos conversar com carinho sobre o assunto, entender por que ele varia tanto de pessoa para pessoa e ver como ter uma relação mais gentil com o próprio corpo.
O que é o espaço entre as pernas e por que ele varia
É o vão que aparece, ou não, entre as coxas quando a pessoa está em pé, com os pés juntos. Nas redes, ficou conhecido pelo nome em inglês, “thigh gap”.
Algumas pessoas têm esse espaço naturalmente. Outras não têm, e isso é igualmente comum. Não há um jeito “certo” de ter um corpo.
A presença ou a ausência desse espaço depende principalmente de como o corpo é construído. Entre os fatores que contam, estão:
- a estrutura óssea, como a largura da bacia e o encaixe do quadril;
- a distribuição de gordura, que é diferente em cada pessoa e muda com o tempo;
- a musculatura das coxas;
- a genética, que tem peso grande em tudo isso.
Ou seja, boa parte dessa característica já vem de fábrica. Duas pessoas com o mesmo peso e hábitos parecidos podem ter silhuetas bem diferentes.
Ele não mede saúde, força nem valor
Esse é um dos pontos mais importantes. O espaço entre as coxas não indica saúde, magreza, força, disposição nem o valor de ninguém.
Há pessoas com esse espaço que enfrentam problemas de saúde e pessoas sem ele que vivem muito bem. Para avaliar a saúde, o caminho é conversar com profissionais, fazer exames e observar hábitos como sono, alimentação, movimento e bem-estar emocional.
Os riscos de tentar “criar” esse espaço
Como boa parte do formato do corpo é estrutural, nem dieta nem exercício conseguem mudar o encaixe do quadril ou a largura da bacia. Tentar forçar o resultado pode machucar.
Entre os riscos de dietas muito restritivas e de treinos exagerados, estão:
- cansaço, fraqueza e falta de energia;
- perda de massa muscular;
- lesões por excesso de treino;
- relação ruim com a comida, com culpa e medo de comer;
- mais ansiedade e menos satisfação com o corpo.
Buscar uma característica que o corpo talvez nunca tenha é uma luta cansativa e desnecessária.
Redes sociais, padrões de beleza e comparação
Os padrões de beleza mudam com o tempo e de acordo com a moda. Hoje, as redes mostram, o dia inteiro, imagens editadas, filtradas e escolhidas a dedo. É fácil esquecer que aquilo é uma vitrine, não a vida real.
Comparar-se com essas imagens costuma trazer insatisfação. E quem tem mais de 45 anos também sente: o corpo muda com a idade, com a menopausa, com as fases da vida, e isso é natural.
Lembrar que ninguém mostra tudo nas redes ajuda a diminuir a pressão. O corpo que você tem é o corpo que te acompanha em cada momento da vida.